quinta-feira, 8 de março de 2007

The Police - Outlandos d'Amour

Como já devem ter constatado, muitos dos álbuns sobre os quais me pronuncio têm uma carga sentimental bastante elevada, tal será o caso seguinte. Considero supérfluo apregoar a gente adulta gostos de adolescência, porque a música é uma arte, requer maturidade para ser devidamente apreciada, no entanto, é comum voltar atrás como que numa demanda pela espontaneidade, vigor e inocência que é frequente sentir a falta mais tarde. Aos 14 anos durante uma das minhas esporádicas visitas à grande Lisboa, fiz questão de visitar a uma das maiores discotecas da época: a Valentim de Carvalho; como sempre fui bastante objectivo nas minhas incursões não tive dificuldades em deparar-me com uma secção dedicada aos The Police. Da banda, conhecia apenas os maiores êxitos comerciais e um espectáculo ao vivo gravado em início de carreira, do qual retumbou no ouvido o tema So Lonely, pelo que acabei por comprar o primeiro registo de originais da banda de Newcastle (onde figura a dita canção). Lembro-me de ouvir um crítico afirmar (corajosamente, refira-se de passagem) que: “os The Police foram entre 79 e 83 o que os Led Zeppelin foram nos anos 70: a maior banda do mundo”, hoje compreendo essa afirmação.

Trata-se aqui de um álbum bastante directo: é música simples, apelativa e extasiante; é um equilíbrio saudável entre Stewart Copeland (mais punk) e Sting (mais jazz). Há temas como Next to You, Truth Hits Everybody ou Peanuts, que apelam ao rocker em nós e temas como Masoko Tanga, e Hole In My Life, que são mais trabalhados e fogem aos lugares comuns do mainstream, há depois o meio-termo revelado em Roxanne, So Lonely e Can´t Stand Losing You. Este é um dos álbuns mais honestos do trio, não há temas super produzidos como Wraped Around Your Finger ou Every Breath you Take, é apenas a energia de três músicos promissores (Stewart Copeland nos Curved Air, Sting era baixo de Jazz e Andy Summers nos New Animals) empenhados em encontrar a face do sucesso.

Hoje em dia já não são os detalhes fantásticos que sobressaem nas canções dos The Police que me levam a revisitá-los com tanta saudade, é antes o facto de poder ouvir artistas com talento e conhecimento suficientes para tocar música mais refinada, mas que no entanto preferem divertir-se e caminhar pela pauta prendendo a multidão em cada riff. É esta a melodia da adolescência e não tem que ser pensada em demasia, que nos traga antes humildade, pois a todos nos tocou e influenciou o que ouvimos hoje.




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