quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Subaudition - Raindrops

"Só por esta pérola já valeu a pena comprar a Loud!", foi o que pensei há uns anos quando ouvi Subaudition. Este dueto oriundo da Finlândia editou o álbum de estreia The Scope e com ele revelou uma delicadeza e uma complexidade harmónica notáveis. Vejam o clip de Raindrops.

Third Eye Blind - Non Dairy Creamer

Depois de 5 anos sem novidades chega o EP Red Star e com ele esta pequena delícia Non Dairy Creamer, dos míticos Third Eye Blind.

Red Sparowes - Alone and Unaware, The Landscape Was Transformed In Front Of Our Eyes

Continuando com as texturas sonoras do post-rock, estes são os Red Sparowes, formados com membros de colossos como Isis e Neurosis. Esta banda tem a particularidade de não utilizar voz, no entanto, descreve uma narrativa no título das canções que tal como a própria lógica do post-rock vale pelo todo do álbum. Este vídeo (Alone and Unaware, The Landscape Was Transformed In Front Of Our Eyes do álbum At The Soundless Dawn) incorpora o ambiente e criatividade do grupo, isto é, como registo ao vivo.

Isis - Holy Tears

Da Califórnia chega Isis, um dos ícones maiores do post-rock da actualidade, que me foi apresentada pelo Bill como "uma coisa extremamente ambiental e negra" muito na onda de Tool (chegaram a abrir para eles na tour norte-americana de 2006). Vale a pena espreitar este vídeo (Holy Tears) do álbum In The Absence Of Truth.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ouvir e Ver

Estas férias tenho aproveitado para me por a par da colecção de Dvds que vai crescendo a olhos vistos na prateleira, daí que para este post tenha optado por uma selecção de bandas sonoras ao invés dos habituais registo de originais. O ponto em comum nestes três filmes e respectivas OSTs é o de estarem profundamente imbuídos no espírito de uma das minhas décadas favoritas que são os anos setenta.

Começo com Vanishing Point ou Corrida Contra o Destino, em que sem grandes explicações Barry Newman como Kowalski inicia uma viagem frenética de Denver até San Francisco num Dodge Challenger carregado com 440 cavalos de potência; uma primeira parte cheia das mais intensas perseguições que já vi em cinema e um final chocante confere a este filme pós-hippie o estatuto de culto. A banda sonora é de luxo com grandes temas soul como Where Do We Go From Here e Over Me; o rock ácido de Freedom of Expression e Mississipi Queen; especial referência também para o tema Nobody Knows de Kim and Dave que fecha a película com a primeira contribuição musical de Kim Carnes. Como se trata de um artigo algo raro, fica aqui o link.

Em Profondo Rosso ou O Mistério da Casa Assombrada assistimos a David Jennings e Daria Nicolodi na senda de um assassino que podia ter saído da imaginação de Hitchcock, no entanto com os recortes de génio (literalmente brutais) de Argento. No filme de referência do Giallo temos trechos musicais de referência dos Goblin de Claudio Simonetti, particularmente, no tema do filme (Profondo Rosso) que faz lembrar Tubular Bells de Mike Oldfield (O Exorcista). Fica o link.

Numa sugestão mais acessível, mas nem por isso mais fraca fica a última obra de Tarantino: o famigerado Death Proof ou À Prova de Morte em duas descrições possíveis: Um slasher violento de homenagem visual ao cinema exploitation em que Kurt Russel usa um bólide reforçado para matar raparigas inocentes; ou um conto moderno que explora a misoginia da personalidade principal que se opõe à promiscuidade das adolescentes nele retratadas. Qualquer que prefiram digo apenas que este filme é sinónimo de divertimento. As músicas não fogem ao já nos habituámos dos filmes de Quentin Tarantino: com Baby It’s You, Jeepster, It’so Easy e (a minha favorita) Chick Habit de April March é difícil não gostar. O link.

Já me conhecem e sabem que sou bastante parcial na apreciação, por desta vez não tentei fugir a esse estigma, haveria e há muito para dizer sobre estes filmes e músicas, mas procurei evidenciar o gosto que eles despertam mesmo passados 30 anos dessa grande década para a cultura contemporânea. Ouçam e vejam enquanto aproveitam o que resta das férias.

sábado, 31 de maio de 2008

Mais Forte Que Eu

Esta referência à canção do álbum Tunnel Of Love surge na sequência do último post do Ritos Nocturnos, visto que independentemente do que um sujeito queira dizer há sempre alguém que já o disse de forma mais elucidativa e interessante. Pareceu-me no decorrer do processo criativo (ou não) de elaboração daquele escrito que a Tougher Than The Rest seria, para além de uma banda sonora muito apropriada, um bom complemento literário.

Está, também, integrada na temática do passado e do efeito que este tem no modo como abordamos as relações, isto porque a ouvi até à exaustão quando se estreou num auto-rádio perto de mim em 1989-90 e nunca me identifiquei com o seu ponto de vista material (pelo menos do modo que foi descrito pelo Bruce), até há pouco tempo. Aqui fica o link.

Well it's saturday night you're all dressed up in blue

I been watching you awhile maybe you been watching me too
So somebody ran out left somebodys heart in a mess
Well if you're looking for love honey I'm tougher than the rest

Some girls they want a handsome dan or some good-lookin joe
On their arms some girls like a sweet-talkin romeo
Well round here baby I learned you get what you can get give
So if you're rough enough for love honey I'm tougher than the rest

The road is dark and it's a thin thin line
But I want you to know I'll walk it for you anytime
Maybe your other boyfriends couldn't pass the test
Well if you're rough and ready for love honey I'm tougher than the rest

Well it ain't no secret I've been around a time or two
Well I don't know baby maybe you've been around too
Well theres another dance all you gotta do is say yes
And if you're rough and ready for love honey I'm tougher than the rest
If you're rough enough for love baby Im tougher than the rest

domingo, 27 de abril de 2008

INXS - Kick

Nos meus últimos aniversários criei uma tendência para fazer durante alguns minutos um exercício de nostalgia e este ano evoquei uma memória particularmente engraçada que vou incorporar no post (álbum) deste mês. Como todos os adolescentes de 14 anos (os mais normais) sonhava acordado com uma rapariga que estava anos-luz à minha frente na esfera social. Durante o tempo em que durou esta paixoneta descobri INXS, mais especificamente um tema (Disappear) que era a coisa mais cool de sempre. Voltando à tal situação pseudo-embaraçosa, num dia de calor ela (que não sonhava que eu existia) passa pela rua onde eu do outro lado do passeio ouvia INXS e, repare-se, como o sol estava de frente para ela, a ideia era eu ser a primeira pessoa visível depois do encandeamento. Com completa consciência deste cenário pareceu-me que a coisa mais acertada a fazer era mudar para a faixa 8 do Greatest Hits e esperar que a moça reparasse no ar cool que emanava de mim. Este foi um (ainda que triste) exemplo da vibração que passa desta banda e deste registo de originais em especial.

O pontapé inicial é dado por Guns In The Sky, num rock FM bem batido, ainda que em 86 não se pudesse dizer o mesmo. Segue-se uma das melhores canções da banda, New Sensation, cuja letra acabou por dar o título ao disco ao vivo do grupo Live Baby Live e nestas palavras se revê a canção. Devil Inside segue uma sonoridade rock mais fluida e foi mais um êxito da altura. Para muitos Need You Tonight é "a" música dos INXS e para os restantes foi um sucesso nas discotecas da época; importa mesmo é reter que já toda a gente gostou ou gosta deste tema. Surge ligada (efectivamente só ao vivo) à canção anterior, Mediate, que consiste em repetir palavras acabadas em "ate", que curiosamente até funciona bem (com Michael Hutchence era fácil) e possui uma ambiência muito interessante criada pelo órgão e saxofone. The Loved One é uma das menos conhecidas, mas que se ouve muito bem, com uma estrutura blues que embora esteja presente no estilo do grupo australiano é mais notada aqui. Wild Life é uma canção que reúne características de New Sensation e Devil Inside, parece-me ideal para ouvir numa estrada larga ao volante de um descapotável. Mais outro grande êxito (ou o êxito) é Never Tear Us Apart, recentemente interpretada por Joe Cocker, mas não se enganem o original é mesmo este e é a versão definitiva. Mistify é das minhas favoritas e uma que consegue deixar milhares de pessoas a cantar ao mesmo tempo nos concertos do grupo. Depois da grandiosa experiência anterior, temos que arranjar um folgo extra para Kick, já não tão espectacular, mas com uma mensagem que diz tudo (“Sometimes you kick, sometimes you get kicked”). Como o álbum não acaba depois de Kick, temos Calling All Nations e Tiny Daggers que não conseguem superar nada do que ouvimos anteriormente, contudo, são um final muito agradável para um disco pop rock tão bom.

O tempo encarrega-se de concluir todas as histórias e nem a minha nem a dos INXS resistem: Michael Hutchence suicida-se (ou não) em 1997 e o grupo não volta aos sucessos que antes teve; depois de ver a rapariga passar lá arranjei coragem para falar com ela e tentar levá-la ao cinema, no entanto ficou por aí. É a beleza das memórias que realmente importam, pois passados 20 anos ainda permanecem: para o Kick sei que os anos não têm modo de o calar; já no que toca ao meu episódico romance, digo que vos contarei outros (é melhor dizer “outro” porque estas coisas no plural têm a mania de se voltar contra nós, futuramente falando) com um final mais feliz.